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  • Vivian Recchia

(Re)Aprendizado em Isolamento



De forma repentina, a partir de março do ano passado nossas vidas mudaram completamente. Como em um déjà vu, nos sentimos voltando à 2009, quando a crise de H1N1 nos preocupava e novamente todos sacaram seus tubinhos de álcool em gel e tentamos seguir com nossas rotinas.


Matérias sobre um pequeno vírus com um caso ou outro na Ásia não nos preocuparam tanto, pois tão longe de nós e depois chegou à Europa e continuamos vivendo “normalmente”. Até que a sorrateira ameaça invisível, longínqua, “só uma gripezinha”, se tornou um tsunami, disposto também a devastar nossas terras tropicais.


Para nos mantermos seguros e com saúde, ficamos em casa nos primeiros meses. As aulas presenciais foram canceladas em escola públicas e particulares e em universidades. Adotamos o home office. Muitas empresas faliram e chegaram as demissões em massa.


Aprendemos a usar máscara e lavar as mãos. Tivemos que aprender com a desesperança, com a distância e a saudade daqueles que amamos.


Hoje, 25 de fevereiro, um ano depois do registrado o primeiro caso de Covid-19 no Brasil, são mais de 250 mil mortes e seguimos nossas novas vidas esperando ser vacinados.


A “turma da balbúrdia" é a nossa principal luz na era das trevas contemporânea e, apesar da desvalorização e cortes de verbas, os profissionais da saúde, cientistas e pesquisadores, provaram novamente seu valor.


A vacinação em massa, para pelo menos mais de 70% da população, é a nossa luz no fim do túnel, para conseguirmos voltar a respirar. Mas, e agora? Como lidar com nossas sequelas emocionais? Como um animal social sobrevive com sanidade por mais de 365 dias isolado?


Diz o senso comum que “a arte é o alimento e a cura da alma”. No último ano, pudemos provar a exatidão absoluta que o dito popular carrega. Há tempos debatemos como a tecnologia nos isolou em nós mesmos, fragilizou as nossas relações humanas e até sucateou as expressões artísticas, musicais e culturais. A discussão é válida e em alguns pontos verdadeira. Mas ao longo deste período vimos o verdadeiro potencial da conexão e do resgate das relações humanas na teia de redes virtuais que nos cercam.


Em nossas casas e telas achamos a saída para afastar a solidão. Conseguimos nos conectar com nossos artistas favoritos, os vimos cantar, dançar e conversamos com eles em eventos ao vivo, vimos suas casas, seus cotidianos e percebemos que além da barreira da fama somos todos humanos, juntando forças para atravessar essa grande crise e, com alguma sorte, sair dela melhor do que entramos.


Nossas vidas mudaram e ainda não sabemos como ou quando voltaremos ao normal, ou como será esse “novo normal” real. Reaprendemos a aprender e a ensinar e mudamos a nossa forma de consumir cultura e entretenimento. A arte é grande parte daquilo que nos compõe enquanto humanos, que nos dá esperança e afasta nossas mentes da escuridão e somente suas mais diversas formas de expressão conseguem nos libertar, ainda que isolados em pequenos espaços físicos.


Com a Educação, reaprendemos. Com a música e as artes, vivemos. E, em meio à pandemia, nasceu o Educa Podcast, que une Educação e Música.


No episódio #24, conversamos com a cantora e compositora Badi Assad e com a psicopedagoga e mestra em educação Roberta Brodt sobre nosso (re)aprendizado em coletividade e os impactos do isolamento em nossas relações.

Clique na imagem para ouvir o episódio.




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